Nos últimos anos, a palavra “algoritmo” passou a frequentar com insistência as conversas entre escritores independentes. Ele aparece como ameaça, como promessa, como mistério e, muitas vezes, como bode expiatório. Quando um livro não vende, culpa-se o algoritmo. Quando um post não alcança leitores, culpa-se o algoritmo. Quando alguém tem sucesso, supõe-se que “aprendeu a jogar o jogo do algoritmo”. Nesse cenário, um erro silencioso se espalhou: escritores passaram a escrever para o algoritmo, e não com consciência do algoritmo . A diferença entre essas duas posturas é sutil, mas decisiva — e costuma separar projetos que crescem de projetos que se esgotam rapidamente. Escrever para o algoritmo parece, à primeira vista, uma atitude pragmática. O autor pesquisa palavras-chave, observa tendências, replica formatos que “funcionam” e adapta sua escrita para agradar sistemas de recomendação. O problema é que algoritmos não leem livros, não se emocionam com histórias e não constroem carr...
A cultura não se constrói apenas com datas históricas ou teorias científicas; ela se constrói com a compreensão da condição humana, com empatia, sensibilidade e capacidade de questionar valores e ideias. A leitura é muitas vezes considerada o reflexo do intelecto, do gosto e da cultura de uma pessoa. Porém, entre leitores, críticos e formadores de opinião, circula uma ideia que merece questionamento: a de que ler ficção seria, de alguma forma, menos válido do que ler não-ficção. Existe um certo elitismo literário que desvaloriza romances, contos, literatura fantástica e narrativas imaginativas, como se elas fossem supérfluas diante de ensaios, biografias, textos acadêmicos ou tratados históricos. Esse preconceito sugere que apenas quem lê textos “sérios” estaria realmente cultivando sua inteligência e se tornando uma pessoa culta. Mas essa é uma visão limitada e que ignora o poder transformador da ficção. É inegável que a não-ficção oferece informações concretas sobre o mundo: a...