A ideia de marketing costuma provocar reações contraditórias entre escritores independentes. Para alguns, é uma necessidade incômoda; para outros, um território quase hostil, associado a autopromoção excessiva, fórmulas milagrosas e discursos vazios. O que raramente se discute com clareza é que o marketing literário que realmente funciona não se parece com o marketing agressivo de outros setores. Ele não depende de viralização, promessas exageradas ou presença constante em todas as plataformas disponíveis. Funciona, sobretudo, quando é coerente com o tempo da literatura, com o perfil do autor e com a expectativa real do leitor. O primeiro ponto que precisa ser enfrentado é a ilusão de que existe um método universal. Muitos escritores começam acreditando que basta repetir o que “deu certo” para outro autor: abrir um perfil em todas as redes sociais, postar diariamente, anunciar com frequência, participar de desafios de escrita, criar slogans sobre o próprio livro. O resultado, na ...
Existe uma ideia persistente, quase folclórica, sobre o ato de escrever que atravessa gerações: a de que a escrita nasce da inspiração, de um estado especial de espírito, de um momento raro em que tudo se alinha e as palavras fluem com naturalidade. Essa ideia, embora sedutora, é também uma das maiores responsáveis pela irregularidade criativa, pela frustração recorrente e pelo abandono de projetos promissores. O que raramente se diz com clareza é que livros não são escritos por pessoas inspiradas, mas por pessoas disciplinadas. A inspiração pode até aparecer, mas ela nunca foi, nem será, um método confiável. A disciplina criativa não tem relação com rigidez extrema, punição ou produtividade cega. Ela se refere, antes de tudo, à construção de uma relação estável com a escrita, uma relação que não depende do humor do dia, do clima emocional ou de estímulos externos. Escrever sem depender de inspiração é aceitar que o texto nasce imperfeito, que a clareza vem depois, que o pensamen...