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Mostrando postagens de janeiro, 2026

O erro de escrever para o algoritmo: como escritores independentes podem vender mais sem perder leitores

 Nos últimos anos, a palavra “algoritmo” passou a frequentar com insistência as conversas entre escritores independentes. Ele aparece como ameaça, como promessa, como mistério e, muitas vezes, como bode expiatório. Quando um livro não vende, culpa-se o algoritmo. Quando um post não alcança leitores, culpa-se o algoritmo. Quando alguém tem sucesso, supõe-se que “aprendeu a jogar o jogo do algoritmo”. Nesse cenário, um erro silencioso se espalhou: escritores passaram a escrever para o algoritmo, e não com consciência do algoritmo . A diferença entre essas duas posturas é sutil, mas decisiva — e costuma separar projetos que crescem de projetos que se esgotam rapidamente. Escrever para o algoritmo parece, à primeira vista, uma atitude pragmática. O autor pesquisa palavras-chave, observa tendências, replica formatos que “funcionam” e adapta sua escrita para agradar sistemas de recomendação. O problema é que algoritmos não leem livros, não se emocionam com histórias e não constroem carr...

O que ninguém te conta sobre o processo de escrever um livro

 Há uma imagem persistente sobre o processo de escrever um livro que raramente corresponde à realidade. Ela costuma envolver inspiração constante, clareza absoluta desde a primeira página, prazer contínuo e uma sensação quase mística de “estar no caminho certo”. Essa imagem é repetida em entrevistas, redes sociais e discursos públicos, não necessariamente por má-fé, mas porque o que sustenta a narrativa do escritor costuma ser o resultado final, não o percurso. O que quase ninguém conta é que escrever um livro é, na maior parte do tempo, uma experiência desconfortável, confusa e profundamente silenciosa. E é justamente por isso que tantos desistem no meio do caminho. O primeiro ponto pouco dito é que a ideia inicial raramente sobrevive intacta ao processo. Aquilo que parece brilhante na concepção costuma se mostrar insuficiente, raso ou inviável quando confrontado com a necessidade de sustentar dezenas ou centenas de páginas. A escrita expõe fragilidades conceituais. Um personagem...

Bastidores do mercado editorial: quanto autores realmente ganham e como funciona a publicação de livros

 Falar sobre os bastidores do mercado editorial costuma gerar desconforto. Não porque o assunto seja complexo demais, mas porque ele desmonta expectativas que foram cuidadosamente construídas ao redor da figura do autor. Durante muito tempo, criou-se uma narrativa quase mítica sobre escrever e publicar livros, como se o simples ato de lançar uma obra fosse suficiente para garantir retorno financeiro, reconhecimento ou estabilidade. A realidade, no entanto, é menos sedutora e muito mais instrutiva. Entender como o mercado editorial realmente funciona não diminui o valor da literatura; ao contrário, devolve ao escritor a possibilidade de fazer escolhas conscientes, informadas e alinhadas com seus próprios objetivos. Uma das perguntas mais recorrentes entre quem escreve é quanto, afinal, um autor ganha por cada livro vendido. A resposta curta é: depende. A resposta honesta é: quase sempre menos do que se imagina. Em contratos tradicionais, a média de royalties gira entre 8% e 12% do ...

Literatura contemporânea e o retorno ao essencial

 Nos últimos anos, tornou-se quase inevitável falar de literatura a partir da ideia de ruptura. Ruptura com formas tradicionais, com estruturas narrativas consolidadas, com expectativas do leitor, com noções de linearidade, pertencimento e até de realidade compartilhada. Durante um longo período, o discurso dominante foi o da urgência: urgência de denunciar, de desconstruir, de provocar, de chocar, de responder a um mundo percebido como permanentemente em crise. Essa literatura, em muitos momentos necessária e legítima, acabou por criar também um ambiente de saturação. Saturação temática, emocional e estética. É nesse contexto que começa a se delinear, de forma menos ruidosa e mais orgânica, um movimento de retorno às raízes — não como retrocesso, mas como recalibração. Esse retorno não acontece por manifesto, nem por consenso explícito entre autores ou editoras. Ele se manifesta de maneira difusa, quase silenciosa, no interesse crescente por narrativas que valorizam o cotidiano, ...