Nos últimos anos, tornou-se quase inevitável falar de literatura a partir da ideia de ruptura. Ruptura com formas tradicionais, com estruturas narrativas consolidadas, com expectativas do leitor, com noções de linearidade, pertencimento e até de realidade compartilhada. Durante um longo período, o discurso dominante foi o da urgência: urgência de denunciar, de desconstruir, de provocar, de chocar, de responder a um mundo percebido como permanentemente em crise. Essa literatura, em muitos momentos necessária e legítima, acabou por criar também um ambiente de saturação. Saturação temática, emocional e estética. É nesse contexto que começa a se delinear, de forma menos ruidosa e mais orgânica, um movimento de retorno às raízes — não como retrocesso, mas como recalibração. Esse retorno não acontece por manifesto, nem por consenso explícito entre autores ou editoras. Ele se manifesta de maneira difusa, quase silenciosa, no interesse crescente por narrativas que valorizam o cotidiano, ...
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