Nos últimos anos, a palavra “algoritmo” passou a frequentar com insistência as conversas entre escritores independentes. Ele aparece como ameaça, como promessa, como mistério e, muitas vezes, como bode expiatório. Quando um livro não vende, culpa-se o algoritmo. Quando um post não alcança leitores, culpa-se o algoritmo. Quando alguém tem sucesso, supõe-se que “aprendeu a jogar o jogo do algoritmo”. Nesse cenário, um erro silencioso se espalhou: escritores passaram a escrever para o algoritmo, e não com consciência do algoritmo . A diferença entre essas duas posturas é sutil, mas decisiva — e costuma separar projetos que crescem de projetos que se esgotam rapidamente. Escrever para o algoritmo parece, à primeira vista, uma atitude pragmática. O autor pesquisa palavras-chave, observa tendências, replica formatos que “funcionam” e adapta sua escrita para agradar sistemas de recomendação. O problema é que algoritmos não leem livros, não se emocionam com histórias e não constroem carr...
Um bom texto não nasce pronto. Ele nasce imperfeito, cheio de excessos, repetições, desvios e lacunas que o próprio autor, no calor da criação, nem sempre percebe. Escrever é um ato emocional; revisar é um ato racional. São fases complementares, inseparáveis e igualmente importantes no processo literário. Muitos escritores iniciantes subestimam o poder da revisão, acreditando que ela é apenas uma etapa técnica. Mas a verdade é que a revisão é onde o texto se transforma em literatura . É ali que a voz autoral se consolida, que a estrutura se equilibra e que a emoção encontra clareza. O erro mais comum de quem está começando é confundir “terminar de escrever” com “terminar o texto”. A primeira versão é apenas o ponto de partida. Mesmo grandes autores, como José Saramago, Virginia Woolf ou Gabriel García Márquez, reescreviam incessantemente, ajustando ritmo, sonoridade e coerência até que cada palavra encontrasse o seu lugar. Escrever bem, em grande parte, é saber reescrever. A rev...